segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Questão de interesse

Não aguento mais discussões sobre quem está certo, quem está errado. Essa greve deixou há muito tempo de ser algo em prol do coletivo e passou a ser uma disputa de lados.

O importante agora é a vitória pessoal: muita gente, de ambos os lados, anda por aí comemorando a vitória como se fosse SUA. Virou ataque, de quem é contra a quem é a favor, e vice-versa.
Não há mais respeito. Se eu sou contra, sou um burguês alienado. Se sou a favor, é porque sou vagabundo e não quero aula.
E tem muita coisa errada nesse meio: manipulação de informação, desrespeito, boicote, cadeiraço, piadinhas, selos de deboche, páginas de deboche.
E não entendo essa raiva toda. Muita gente inventando sua própria definição e tomando-a como VERDADE ABSOLUTA.
Vi em algum dos milhares de grupos que surgiram depois do início dessa greve um rapaz (não cito nome porque não sei quem é) dizendo: "...temos liberdade democrática pra impedir...". Liberdade democrática pra impedir? Como isso? Impedimento não combina com liberdade, e teoricamente, muito menos com democracia.
Confesso que fiz piadinhas. Sou contra a greve desde o início por motivos além de ter aula e não acho que mudarei de opinião. Claro que quero ter minha aula, mas mais que isso, acho que greve é um método totalmente antiquado, que prejudica muito mais inocentes do que culpados. MUITO MAIS (é como explodir Brasília inteira: centenas de políticos corruptos, milhões de civis inocentes). Porém, tentei não ofender ninguém, com meu posicionamento.
Algo que me preocupa muito, é o período depois que essa greve acabar. Independentemente de como ela acabar, haverá sequelas no pós-greve. Consigo até imaginar um cenário de divisão política no câmpus: "ah, mas como você é amiga dele? Ele era contra a greve"; "ah, não vou nessa festa não, só vai grevista". Algumas pessoas já agem assim, mas meu medo é que isso torne-se comum e passe a ser o comportamento da maioria. Será que nesse período de greve deixamos de ser uns iguais aos outros, mesmo que em condições diferentes?
Mas o pior mesmo, é a questão do DIREITO. Acho até que essa palavra foi mais dita do que a própria palavra greve. Nessa briga de interesses, todos têm muitos "direitos", e o direito de cada um nunca é igual ao do outro. "Pensadores" argumentam que seu direito é total e o direito que o outro defende como dele, não existe, baseados na interpretação que mais lhes convêm do que está escrito na lei. Os argumentos do outro lado nunca são válidos. Falta bom senso.
Aos mais intolerantes, eu pergunto: por acaso você já considerou que pode estar errado?


PS: quando digo greve, não me refiro ao Movimento Estudantil em si. Acho que o Movimento Estudantil da UNESP Assis é muito maior e do que uma greve.
PS2: isso não é um texto contra a greve. Não tinha como não transparecer meu posicionamento no texto, mas minha intenção é fazer ambos os lados refletirem.

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